Não Ultrapasseis o Que Está Escrito




Assim, pois, importa que os homens nos considerem como ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus. Ora, além disso, o que se requer dos despenseiros é que cada um deles seja encontrado fiel. Todavia, a mim mui pouco se me dá de ser julgado por vós ou por tribunal humano; nem eu tampouco julgo a mim mesmo. Porque de nada me argúi a consciência; contudo, nem por isso me dou por justificado, pois quem me julga é o Senhor. Portanto, nada julgueis antes do tempo, até que venha o Senhor, o qual não somente trará à plena luz as coisas ocultas das trevas, mas também manifestará os desígnios dos corações; e, então, cada um receberá o seu louvor da parte de Deus. Estas coisas, irmãos, apliquei-as figuradamente a mim mesmo e a Apolo, por vossa causa, para que por nosso exemplo aprendais isto: não ultrapasseis o que está escrito; a fim de que ninguém se ensoberbeça a favor de um em detrimento de outro.
No caso considerado pelo apóstolo, refletia em sua mente, especialmente a idolatria dos crentes coríntios em relação a ele próprio, a Pedro e Apolo. Quando afirma: não ultrapasseis o que está escrito, lhes adverte que onde o coração deles deveria estar era na exata Palavra de Deus, e não nos despenseiros, nos ministros, nos pastores que lhes pregavam o evangelho, uma vez que, até eles próprios estavam sujeitos a incorrerem no grave erro de acrescentarem revelações pessoais e práticas oriundas de sua própria imaginação, ainda que não intencionalmente, à santa palavra de Deus que lhes fora revelada, contra o mandamento, ordenado pelo Senhor:
Nada acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos do Senhor, vosso Deus, que eu vos mando.
Há de se ter em conta também, que o conhecimento da revelação do evangelho, em sua essência e propósitos não é dado na mesma medida a todos os despenseiros, ou seja, nem todos chegam a alcançar uma compreensão adequada, harmoniosa e profunda das verdades da Palavra de Deus, e daí decorre a mistura que ocorre em ministrações da verdade com práticas anti-bíblicas que é feita por muitos. Há portanto grandes perigos envolvidos para uma fé sadia do corpo de crentes, quando ministros ungidos pelo Espírito Santo e separados para a obra do evangelho, alcançam a reputação de profetas, e começam a acrescentar à revelação do evangelho, noções e práticas que são estranhas ao mesmo, pelo desejo de glorificarem a si mesmos, ainda que o façam inconscientemente e de forma não intencional, contudo, no fim o resultado será sempre o mesmo: rebaixarão a Cristo e exaltarão a si mesmos, quanto ao poder espiritual que pensam possuir.
Então o apóstolo Paulo alerta para este perigo, dizendo: 1Co 4:5 Portanto, nada julgueis antes do tempo, até que venha o Senhor, o qual não somente trará à plena luz as coisas ocultas das trevas, mas também manifestará os desígnios dos corações; e, então, cada um receberá o seu louvor da parte de Deus. E para não incorrerem nos juízos dAquele que tem os olhos como chamas de fogo e que a tudo perscrutam, o apóstolo afirma que os despenseiros, os ministros devem ser achados fiéis na exata transmissão da Palavra da verdade que lhes foi confiada. Portanto, deve haver humildade no reconhecimento de que devemos aprender com humildade tudo aquilo que foi proferido pela boca de Deus nas Escrituras Sagradas.

É muito triste, ver líderes que haviam sido levantados pelo Senhor, caírem, por falta de obediência humilde a este princípio, de reconhecer que não passamos de meros carteiros, de meros portadores da mensagem sagrada que nos foi confiada, para que apontemos por meio dela, não a nós mesmos como líderes carismáticos ou seja o que for, senão somente a Cristo, que nos livrou da miséria em que nos encontrávamos, estando mortos em nossos espíritos por causa de nossos delitos e pecados, dos quais devemos continuar nos despojando enquanto aqui estivermos, nos purificando pela obediência à Palavra, pelo trabalho do Espírito Santo nos nossos novos corações, que nos foram dados por Ele na nossa conversão.
Que Deus tenha misericórdia de nós, e que nos livre do grave erro que estava sendo praticado pelos coríntios, e ao qual todos nós estamos sujeitos, a saber, o de idolatrar os ministros de Deus, porque assim fazendo, nós os exporemos ao orgulho espiritual que a tantos tem derrubado.

Share:

0 comentários